Lua, lua, lunaverso,
bússola da minha contramão.
Quando a insônia perde o sono,
tu fazes festa na solidão.
Cheia, te enches de mar,
desarrumas maré e coração.
Minguante, minguas meus medos,
trazes o peixe, repartes o pão.
Crescente, cresces por dentro,
reencantas minha imaginação.
A esperança, que andava muda,
desafina uma nova canção.
Lua, luar, minha fé sem altar,
referência da busca e da redenção.
Ajuda-me a iluminar, relembrar, repensar,
a desinventar certezas, reinventar a razão.
Lua de dia, lua de noite,
consagração do sim na imensidão.
Apareces até quando o sol diz não,
sem pedir licença, nem explicação.
E tu, que brilhas com luz emprestada,
ensinas ao meu pequeno universo
que até a escuridão pode ser iluminada,
e que a solidão também cabe num verso.