É urgente o pão,
a paz,
o abraço que não veio,
a criança que não pode esperar.
Mas existem urgências
que não gritam nas ruas,
não aparecem nas filas,
não sangram nas calçadas.
Crescem silenciosamente
entre votos, cadeiras
e promessas de salvação.
Uma maioria no Parlamento.
Uma Presidência em disputa.
Quatro cadeiras no Supremo
que poderão receber novos nomes.
Três Poderes.
Três responsabilidades.
Uma Constituição.
E a inquietante pergunta
sobre quantas chaves
podem repousar
sob a influência das mesmas mãos.
Quem vigia o vigilante?
Quem julga quem julga?
Quem limita quem governa?
Quem protege a voz
que não concorda?
É urgente compreender
que maioria não é unanimidade,
que autoridade não é propriedade,
que governar não é possuir
e que discordar
não é trair a pátria.
A democracia não cabe
num único pensamento.
Precisa de vozes contrárias,
de perguntas incômodas,
de portas que permaneçam abertas
mesmo para quem não foi convidado.
Porque o poder de indicar
não é o poder de determinar.
O poder de legislar
não é o direito de silenciar.
E o poder de governar
não substitui
o dever de respeitar.
Dia vinte e cinco
o Brasil reencontra
uma escolha.
E a pergunta permanece.
O que acontece com as diferenças
quando as maiorias se ampliam?
O que acontece com os limites
quando os poderes se aproximam?
E quem continuará dizendo não
quando o não for necessário?
É urgente lembrar
que a República não pertence
a quem vence uma eleição,
nem a quem ocupa uma cadeira,
nem a quem veste uma toga.
O poder passa.
Os governos passam.
Os eleitos passam.
O povo permanece.
E nenhuma vitória
deveria fazer esquecer
que o futuro também pertence
a quem pensou diferente.
Urgente é preservar
o direito de escolher,
de discordar,
de fiscalizar,
de mudar.
Porque a democracia
não termina quando se contam os votos.
É justamente ali
que ela precisa continuar.
Dito isso é Lula 13 meu irmão!