Samba de quintal
Um certo dia eu sentei pra escrever
Tinha tanta coisa querendo dizer
Peguei papel, ajeitei meu lugar
Mas a palavra não quis trabalhar
Pensei na vida, pensei no amor
Pensei na falta, pensei no calor
Pensei em tudo, não pensei em nada
E uma coisinha ficou martelada
Tururu, tururu
Se perguntar, eu não sei explicar
Tururu, tururu
Se eu explicar, vai deixar de prestar
Tururu, tururu
Tem coisa que a gente não tem que entender
Se bateu lá dentro e ninguém traduziu
Deixa bater... tururu!
Veio um amigo querendo saber
“Mas esse tururu quer dizer o quê?”
Olhei pra ele, pensei um segundo
“Sei lá, rapaz, deve ser coisa do mundo!”
Pode ser riso querendo chegar
Pode ser choro cansado de estar
Pode ser nada fazendo barulho
Pode ser peito escondendo um orgulho
Pode ser falta sem ser solidão
Uma saudade sem explicação
Pode ser samba chegando mansinho
Puxando uma cadeira e pedindo um cantinho
Tururu, tururu
Se perguntar, eu não sei explicar
Tururu, tururu
Se eu explicar, vai deixar de prestar
Tururu, tururu
Tem coisa que a gente não tem que entender
Se bateu lá dentro e ninguém traduziu
Deixa bater... tururu!
E se a tristeza sentar nessa roda
Puxa uma cadeira, que aqui ninguém poda
Se a alegria chegar atrasada
Entra no samba, não paga mais nada
Porque a vida não pede licença
Troca o compasso, desmonta a sentença
Quando parece que está tudo pronto
Vira a esquina e começa outro ponto
E a gente vai
Sem saber onde vai dar
Um tantã aqui
Um cavaco acolá
Alguém desafina
Outro começa a rir
E quando percebe
Já voltou a seguir
Tururu, tururu
Não é chegada, nem ponto final
Tururu, tururu
É só um jeito de achar natural
Não saber tudo, não ter conclusão
Deixar uma fresta no meio da razão
E quando a vida perguntar “e aí?”
A gente responde...
Tururu!
E o coro lá do fundo:
TURURUUUUU!