Esquisito.
O que é?
Algo que não cabe no pé?
Vestir tênis sem ter chulé?
Um calor danado
e ainda querer café?
Ter muita coisa pra fazer
e não fazer nada.
Não ter nada pra fazer
e inventar alguma coisa.
Querer sair
quando acabou de chegar.
Querer chegar
sem saber muito bem onde.
Esquisito.
Um dia pode ser esquisito.
Uma semana também.
Um mês já preocupa um pouco.
Um ano...
bem,
aí talvez a gente tenha
se acostumado com o esquisito.
Mas tem também
aquele momento esquisito.
Não aconteceu nada.
Mas aconteceu alguma coisa.
Ninguém falou.
Mas alguma coisa foi dita.
Não mudou nada.
Mas parece que tudo
está meio fora do lugar.
Ou será que está no lugar
e quem está fora
é a gente?
Esquisito é rir
quando não era pra rir.
Ficar sério
quando todo mundo achou graça.
Sentir saudade
do que nem aconteceu.
Ter vontade
do que não sabe se quer.
Esperar alguma coisa
que nem sabe se vem.
Esquisito é acordar diferente
sendo exatamente o mesmo.
Olhar pela janela
e achar o mundo estranho,
mesmo com a rua no mesmo lugar,
o céu fazendo seu serviço
e o vizinho sendo
irritantemente o mesmo vizinho.
Tem gente esquisita.
Conversa esquisita.
Silêncio esquisito.
Abraço esquisito.
Distância esquisita.
Proximidade mais esquisita ainda.
E tem aquele esquisito
que a gente não consegue explicar.
Só sente.
Fica ali.
Nem bom.
Nem ruim.
Nem sim.
Nem não.
Esquisito.
Aliás...
ficar pensando tanto
sobre o que é esquisito
também é meio esquisito.
Não é?
Sei lá.
Hoje está um dia esquisito.