Saudade é um sentimento esquisito. Nem chega a ser tristeza. Também não é alegria. É uma coisa no meio. Ou do lado. Ou de canto nenhum.
A gente sente saudade do que viveu, do que acabou, do que ainda existe, mas já não é igual.
E, veja só, às vezes sente saudade até do que nunca teve.
Saudade de uma possibilidade. De uma conversa que não aconteceu. De um beijo que ficou no quase. De uma viagem que não fizemos. De uma escolha que não tivemos coragem de fazer. De alguém que não foi nosso, nem precisava ser.
Tem saudade segura. Tem saudade arriscada. Tem saudade perigosa. Daquelas que é melhor deixar quietinha, porque matar a saudade pode ressuscitar outras coisas.
E tem a saudade possível. Essa é ainda mais danada.
Porque bastava uma mensagem, um telefonema, uma passagem, alguns quilômetros, um abraço, um movimento qualquer...
Mas a gente não faz.
E sente saudade.
Dizem que a palavra é nossa, que em outros lugares existem sentimentos parecidos, outras palavras, outras maneiras de explicar.
Pouco importa.
Nem em português a gente consegue explicar direito.
Saudade é boa? É ruim? É linda? É feia?
Não sei.
Sei que tem saudade que dói e a gente gosta. Tem saudade que faz sorrir e a gente chora. Tem saudade que queremos matar e outras que preferimos manter vivas.
Porque matar certas saudades é também descobrir o que sobrou depois delas.
Saudade é um diacho.
Do que foi. Do que é. Do que poderia ter sido. Do que ainda pode ser.
E, talvez, a mais esquisita de todas
a saudade daquilo que nunca aconteceu,
mas que, por algum motivo, a gente lembra como se tivesse vivido.