Talvez seja ilusão,
simulação,
confusão
ou apenas decisão.
Talvez seja vontade
disfarçada de dúvida,
medo vestido de prudência,
um sim esperando coragem
ou um não sem jeito de sair.
Talvez seja cedo.
Talvez tarde.
Talvez perto.
Talvez nunca.
Talvez seja amor,
calor,
dor,
ou só uma vontade danada
de ver no que vai dar.
Talvez seja possibilidade,
aquela fresta entre
o que existe
e o que pode existir.
Mas só talvez.
Porque talvez demais
também cansa.
Antes que vire desfaçatez,
insensatez,
estupidez
ou qualquer outro “ez”
inventado para adiar
o que já sabemos.
Talvez seja hora
de deixar o talvez de lado.
Escolher.
Errar.
Acertar.
Mudar.
Viver.
Talvez.
Ou talvez não.