Quero viajar no espaço sideral.
Sei lá o que é.
Sei lá onde fica.
Só sei que sideral
é uma palavra que implica.
Implica com a mente.
Implica com a vontade.
Implica comigo.
Implica com o dia.
Implica até com essa mania
de querer saber onde tudo vai dar.
parece longe.
Parece grande.
Parece escuro.
Parece sensacional.
E eu quero ir.
Não para morar.
Quero viajar.
Ir.
Olhar.
Me perder um pouco.
Descobrir alguma coisa.
Não descobrir nada.
E voltar.
Ou não voltar igual.
Quero ver a Terra de longe
só para descobrir
se os meus problemas também ficam pequenos.
Quero saber se lá existe em cima,
embaixo,
direita,
esquerda.
Se existe caminho.
Se existe chegada.
Se alguém pergunta
“aonde você vai?”
e a gente pode simplesmente responder
“Sideral.”
Quero chegar lá
sem saber onde é lá.
Quero olhar em volta
e não reconhecer porra nenhuma.
Depois olhar para mim
e perguntar
Onde estou?
E, pela primeira vez,
não ter tanta pressa
de saber onde está.