À vida, ao universo, à força maior que nos envolve e nos conecta,
que este sábado não tenha pressa.
Que o relógio continue marcando as horas,
mas que eu não precise correr atrás delas.
Que eu acorde para o que existe além dos compromissos,
das metas, das cobranças
e de tudo aquilo que durante a semana parece tão urgente.
Hoje, que eu me permita simplesmente viver.
Que eu tenha tempo para uma conversa sem hora para acabar,
para sentar à mesa com quem amo,
andar sem destino,
ouvir música,
ler algumas páginas,
olhar o céu
ou não fazer absolutamente nada por alguns instantes.
Que eu perceba a riqueza escondida no comum.
O cheiro da comida,
uma gargalhada inesperada,
o vento entrando pela janela,
um abraço demorado,
o silêncio confortável de quem não precisa dizer nada.
Que eu cuide dos meus afetos.
Que eu diga que gosto,
que eu demonstre carinho,
que eu procure quem faz falta
e esteja verdadeiramente presente para quem estiver perto.
Que eu também cuide de mim
sem transformar descanso em culpa
e prazer em recompensa por produtividade.
Eu não preciso merecer uma pausa.
Que este sábado tenha espaço para o improviso,
para uma pequena aventura,
para mudar os planos
e descobrir alguma coisa que eu nem estava procurando.
E quando o dia terminar,
que eu não precise perguntar quanto produzi.
Que eu apenas consiga sentir:
hoje eu tive tempo para a vida.
E isso já é muito.
Que assim seja.