Eu não quero um amor
que me pertença.
Quero um amor que permaneça
porque quer ficar.
Que tenha desejo,
pele,
vontade,
beijo demorado
e saudade antes mesmo da despedida.
Mas que tenha espaço.
Espaço para você ser você,
para eu continuar sendo eu,
e para existir esse lugar bonito
que inventamos quando somos nós.
Não quero vigiar seus passos,
diminuir seus sonhos,
escolher suas roupas,
controlar suas palavras,
chamar ciúme de cuidado
ou posse de paixão.
Isso não é amor.
Amor não levanta a mão.
Não levanta a voz para ferir.
Não humilha,
não ameaça,
não aprisiona.
Amor pode até bater a porta,
ficar bravo,
discordar,
pedir silêncio,
pedir conversa,
pedir colo.
Porque amor também é humano.
E humano erra.
Eu erro.
Às vezes sou forte,
às vezes frágil,
às vezes sou os dois
na mesma manhã.
Posso tropeçar nas palavras,
errar o gesto,
ferir sem querer,
ou até perceber tarde demais
que deveria ter feito diferente.
Mas se amo,
não faço do erro morada.
Eu volto.
Reconheço.
Peço desculpas.
Escuto.
Conserto o que puder ser consertado
e aprendo com aquilo
que não pode ser desfeito.
Porque amar também é reparar.
Não apagar o que aconteceu,
não inventar desculpas,
não pedir ao outro
que esqueça depressa.
É assumir.
É mudar.
É fazer melhor
não porque tenho medo de perder,
mas porque amo.
Quero um amor sem pedestal.
Ninguém acima,
ninguém abaixo.
Lado a lado.
Dois seres inteiros,
imperfeitos,
fortes e frágeis,
aprendendo que amar
não é nunca errar.
É não transformar o erro
em hábito.
Quero dizer que amo.
Escrever que amo.
Beijar porque amo.
Desejar porque amo.
Respeitar porque amo.
Consertar porque amo.
E, principalmente,
viver de um jeito
que não deixe a palavra amor
mentir sobre os meus atos.
Hoje.
Porque eternidade demais
pode virar promessa.
E eu prefiro outra coisa.
Amar você hoje
tão inteiro,
tão livre,
tão verdadeiro,
que amanhã, se chegar,
encontre a gente
fazendo tudo outra vez.
Amando.
Errando menos.
Aprendendo mais.
Consertando quando preciso.
Rindo quando possível.
Desejando ainda.
Escolhendo de novo.
E se isso for eternidade...
que seja.