Márcio Cerbella – Inspiração e Estratégia
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Textos

Amor sem posse

Eu não quero um amor

que me pertença.

Quero um amor que permaneça

porque quer ficar.

Que tenha desejo,

pele,

vontade,

beijo demorado

e saudade antes mesmo da despedida.

Mas que tenha espaço.

Espaço para você ser você,

para eu continuar sendo eu,

e para existir esse lugar bonito

que inventamos quando somos nós.

Não quero vigiar seus passos,

diminuir seus sonhos,

escolher suas roupas,

controlar suas palavras,

chamar ciúme de cuidado

ou posse de paixão.

Isso não é amor.

Amor não levanta a mão.

Não levanta a voz para ferir.

Não humilha,

não ameaça,

não aprisiona.

Amor pode até bater a porta,

ficar bravo,

discordar,

pedir silêncio,

pedir conversa,

pedir colo.

Porque amor também é humano.

E humano erra.

Eu erro.

Às vezes sou forte,

às vezes frágil,

às vezes sou os dois

na mesma manhã.

Posso tropeçar nas palavras,

errar o gesto,

ferir sem querer,

ou até perceber tarde demais

que deveria ter feito diferente.

Mas se amo,

não faço do erro morada.

Eu volto.

Reconheço.

Peço desculpas.

Escuto.

Conserto o que puder ser consertado

e aprendo com aquilo

que não pode ser desfeito.

Porque amar também é reparar.

Não apagar o que aconteceu,

não inventar desculpas,

não pedir ao outro

que esqueça depressa.

É assumir.

É mudar.

É fazer melhor

não porque tenho medo de perder,

mas porque amo.

Quero um amor sem pedestal.

Ninguém acima,

ninguém abaixo.

Lado a lado.

Dois seres inteiros,

imperfeitos,

fortes e frágeis,

aprendendo que amar

não é nunca errar.

É não transformar o erro

em hábito.

Quero dizer que amo.

Escrever que amo.

Beijar porque amo.

Desejar porque amo.

Respeitar porque amo.

Consertar porque amo.

E, principalmente,

viver de um jeito

que não deixe a palavra amor

mentir sobre os meus atos.

Hoje.

Porque eternidade demais

pode virar promessa.

E eu prefiro outra coisa.

Amar você hoje

tão inteiro,

tão livre,

tão verdadeiro,

que amanhã, se chegar,

encontre a gente

fazendo tudo outra vez.

Amando.

Errando menos.

Aprendendo mais.

Consertando quando preciso.

Rindo quando possível.

Desejando ainda.

Escolhendo de novo.

E se isso for eternidade...

que seja.

Marcio Cerbella
Enviado por Marcio Cerbella em 22/08/2026
Alterado em 22/08/2026
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