Márcio Cerbella – Inspiração e Estratégia
Conteúdos que despertam a criatividade, desafiam limites e impulsionam a inovação.
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Textos

Os pais que a vida inventa

Tem pai que a gente chama de pai.

E tem uns sujeitos meio malucos

que a vida coloca no caminho

e só muito tempo depois

a gente percebe

aquilo também era paternidade.

Alfredo Mandarino,

meu cunhado,

quase irmão,

foi também, em alguns momentos,

um pouco meu pai.

Botafoguense.

Ninguém é perfeito.

Mas quase irmão,

quase pai,

companheiro de estrada,

presença dessas que vão ocupando espaços

sem precisar pedir licença.

Porque essas coisas não respeitam muito

a árvore genealógica.

Afeto nunca foi bom de organograma.

E teve um tal de Paulo Viveiros.

Paulo Careca.

Esse então...

Era tio.

Mas pensando bem,

era pai tio.

Ou tio pai.

Desafiava.

Brincava junto.

Construía coisas.

Inventava histórias malucas.

Fazia rir.

Nem sempre era o melhor exemplo do mundo.

Também nem sempre sabia

devolver carinho com carinho.

Mas amizade ele sabia.

Brincadeira ele sabia.

Construção ele sabia.

Criatividade...

Ah, isso ele sabia pra cacete.

E tinha Giovanni.

Outro tio.

Outra referência.

Outro sujeito que ajudou a construir

um pedaço deste aqui.

Careca e Giovanni, inclusive,

cometeram uma das maiores interferências

na minha formação.

Fizeram um menino cercado de vascaínos

virar Flamengo.

Isso não é pouca coisa.

Jurany vascaíno.

Elair vascaíno.

E os dois tios ali,

trabalhando silenciosamente

pela salvação rubro-negra da criança.

Deu certo.

E não foi só futebol.

Porque hoje percebo

que somos feitos também

das pessoas que brincaram conosco,

das que nos desafiaram,

das que construíram alguma coisa ao nosso lado,

das que contaram histórias,

das que fizeram rir,

das que mostraram outros caminhos.

Um pouco do homem que inventa,

que provoca,

que cria histórias,

que constrói projetos,

que olha para uma coisa pronta e pergunta

“e se a gente fizesse diferente?”

nasceu também nesses encontros.

Alfredo.

Careca.

Giovanni.

Nenhum deles era meu pai.

E todos, de algum jeito,

foram um pouco.

Depois de muitos anos

a gente descobre essa multidão.

O pai irmão.

O pai cunhado.

O pai amigo.

O pai professor.

O pai avô.

E esses maravilhosos sujeitos

sem classificação possível

os tios pais.

Neste Dia dos Pais,

quero brindar também aos clandestinos.

Aos que exerceram pedaços de paternidade

sem documento,

sem cerimônia,

sem obrigação

e às vezes sem nem perceber.

Aos que deixaram uma ferramenta,

uma provocação,

uma história absurda,

uma gargalhada,

uma coragem,

uma invenção.

E até um time de futebol.

Porque pai também pode ser isso

alguém que ajuda a construir você

sem nunca ter recebido

a obrigação de fazê-lo.

E se hoje ainda invento,

brinco,

construo,

conto histórias,

desafio o óbvio

e visto vermelho e preto,

tem muito sujeito

que pode ser responsabilizado por isso.

Ainda bem.

Marcio Cerbella
Enviado por Marcio Cerbella em 09/08/2026
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