Márcio Cerbella – Inspiração e Estratégia
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Textos

Pai é Verbo!

Pai não cabe numa palavra.

Nem numa fotografia antiga.

Nem no sobrenome.

Nem no sangue.

Pai é verbo.

É ficar.

É ensinar.

É fazer falta.

É deixar alguma coisa da gente

continuando nos outros.

Arnaldo foi assim.

Um baita pai.

Deixou marcas nos três filhos,

dessas que o tempo não apaga,

e ainda arrumou espaço

para deixar algumas em mim.

Ninguém é perfeito, claro.

Arnaldo, por exemplo,

era tricolor.

Fluminense.

Mas até isso a gente perdoa

quando o sujeito foi grande

nas coisas que realmente importam.

Elair também foi pai.

Pai de coração.

Companheiro da mãe Maria.

Porque família também se constrói

na escolha de permanecer,

no cuidado cotidiano,

no amor que não pergunta

de onde veio o sangue.

E Jurany...

Jurany foi sangue e coração.

Meu pai.

Já falei tanto dele

e ainda parece pouco.

Vascaíno,

como Elair,

me deixou histórias, lembranças,

pedaços de vida

que de vez em quando aparecem

sem pedir licença.

Porque pai é uma coisa engraçada.

Um dia segura nossa mão.

Depois solta.

Depois a vida passa

e a gente percebe

que aquela mão continua ali.

Num jeito de falar.

Numa decisão.

Num costume.

Num silêncio.

Numa história repetida pela centésima vez

como se fosse a primeira.

Arnaldo.

Elair.

Jurany.

Três nomes.

Três histórias.

Três maneiras de dizer pai.

E hoje penso também

nos pais espalhados pelo mundo.

Nos que estão chegando agora,

assustados diante de um filho tão pequeno.

Nos que já criaram os seus

e continuam pais do mesmo jeito.

Nos pais de sangue.

Nos pais escolhidos pela vida.

Nos avôs que viraram pais outra vez.

Nos que acertaram muito.

Nos que erraram bastante.

Nos que aprenderam no caminho.

Nos que ainda podem receber um abraço.

E nos que agora

só podem ser abraçados pela memória.

No fim das contas,

pai não é quem deixa tudo pronto.

É quem deixa alguma coisa.

Uma história.

Um conselho.

Uma bronca.

Uma gargalhada.

Um exemplo.

Uma saudade.

Uma marca.

E, quando a marca é de amor,

o sujeito pode até ser

vascaíno,

tricolor

ou qualquer outra maluquice dessas.

Porque antes do escudo no peito

vem aquilo que realmente importa

o coração.

Feliz Dia dos Pais

a Arnaldo,

a Elair,

a Jurany,

e a todos os pais do mundo

que descobriram, cada um do seu jeito,

que gerar uma vida pode acontecer num instante,

mas ser pai

é AMOR ❤️ para a vida inteira.

Marcio Cerbella
Enviado por Marcio Cerbella em 09/08/2026
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