Pai não cabe numa palavra.
Nem numa fotografia antiga.
Nem no sobrenome.
Nem no sangue.
Pai é verbo.
É ficar.
É ensinar.
É fazer falta.
É deixar alguma coisa da gente
continuando nos outros.
Arnaldo foi assim.
Um baita pai.
Deixou marcas nos três filhos,
dessas que o tempo não apaga,
e ainda arrumou espaço
para deixar algumas em mim.
Ninguém é perfeito, claro.
Arnaldo, por exemplo,
era tricolor.
Fluminense.
Mas até isso a gente perdoa
quando o sujeito foi grande
nas coisas que realmente importam.
Elair também foi pai.
Pai de coração.
Companheiro da mãe Maria.
Porque família também se constrói
na escolha de permanecer,
no cuidado cotidiano,
no amor que não pergunta
de onde veio o sangue.
E Jurany...
Jurany foi sangue e coração.
Meu pai.
Já falei tanto dele
e ainda parece pouco.
Vascaíno,
como Elair,
me deixou histórias, lembranças,
pedaços de vida
que de vez em quando aparecem
sem pedir licença.
Porque pai é uma coisa engraçada.
Um dia segura nossa mão.
Depois solta.
Depois a vida passa
e a gente percebe
que aquela mão continua ali.
Num jeito de falar.
Numa decisão.
Num costume.
Num silêncio.
Numa história repetida pela centésima vez
como se fosse a primeira.
Arnaldo.
Elair.
Jurany.
Três nomes.
Três histórias.
Três maneiras de dizer pai.
E hoje penso também
nos pais espalhados pelo mundo.
Nos que estão chegando agora,
assustados diante de um filho tão pequeno.
Nos que já criaram os seus
e continuam pais do mesmo jeito.
Nos pais de sangue.
Nos pais escolhidos pela vida.
Nos avôs que viraram pais outra vez.
Nos que acertaram muito.
Nos que erraram bastante.
Nos que aprenderam no caminho.
Nos que ainda podem receber um abraço.
E nos que agora
só podem ser abraçados pela memória.
No fim das contas,
pai não é quem deixa tudo pronto.
É quem deixa alguma coisa.
Uma história.
Um conselho.
Uma bronca.
Uma gargalhada.
Um exemplo.
Uma saudade.
Uma marca.
E, quando a marca é de amor,
o sujeito pode até ser
vascaíno,
tricolor
ou qualquer outra maluquice dessas.
Porque antes do escudo no peito
vem aquilo que realmente importa
o coração.
Feliz Dia dos Pais
a Arnaldo,
a Elair,
a Jurany,
e a todos os pais do mundo
que descobriram, cada um do seu jeito,
que gerar uma vida pode acontecer num instante,
mas ser pai
é AMOR ❤️ para a vida inteira.