Começou como quem sai só para esticar as pernas.
O fim da rua.
O começo do mato.
Um bambuzal conversando com o vento.
Laranjeiras.
Bananeiras.
Estrada de chão.
Um ou outro cachorro convencido de que guardava o mundo.
Um mico atravessando o dia sem pedir licença.
Dois vírgula oito quilômetros.
A distância era pequena.
O encontro, enorme.
No chão, pegadas de cavalo.
Nos olhos, novidade.
No coração de uma menina, a descoberta de que o caminho também brinca.
O medo dos cachorros foi dando lugar à coragem de continuar andando.
Principalmente porque alguém caminhava ao lado.
Quase no fim, veio a pergunta que mudou a caminhada inteira.
"Vovô... por que a gente não faz isso mais vezes?"
Às vezes, a felicidade não pede férias.
Nem passagem.
Nem grandes planos.
Pede um quarteirão.
Ontem ela contou a aventura para a avó.
Amanhã, talvez conte para as árvores outra vez.
Enquanto isso, a caminhada já ganhou companhia nova.
Eu e Mônica voltamos pelo mesmo caminho.
O bambuzal continuava lá.
Os cachorros também.
As pegadas já eram outras.
Engraçado...
Algumas rotinas nascem de grandes decisões.
Outras começam quando uma criança resolve convidar um adulto para não deixar a infância passar tão depressa.