Disseram que os sonhos andavam faltando à escola.
Que os olhos já não brilhavam.
Que a juventude havia desistido.
Entramos.
Não encontramos silêncio.
Encontramos dragões.
Sentados nas carteiras.
Escondidos atrás de risadas.
Misturados às dúvidas.
Guardando medos que ninguém via.
Bastou uma pergunta.
Uma história.
Uma roda de conversa.
E, de repente,
os mesmos jovens, que pareciam distantes,
discutiam caminhos,
inventavam nomes,
construíam pontes,
treinavam dragões.
Talvez o interesse nunca tenha ido embora.
Talvez estivesse apenas esperando alguém que acreditasse antes de cobrar.
Alguém que perguntasse
antes de responder.
Alguém que enxergasse potêncial onde tantos aprenderam a enxergar problema.
Aos professores,
à coordenação,
à direção,
às famílias,
e a toda a comunidade,
fica um convite.
Antes de dizer que nossos jovens não sonham,
perguntem quais dragões eles enfrentam.
Antes de concluir que não querem aprender,
descubram qual aventura ainda não lhes foi apresentada.
Porque, às vezes,
o que parecia desinteresse
era apenas um talento
esperando um olhar.
Um convite.
Uma pergunta.
Alguém que dissesse:
"Vamos treinar esse dragão juntos?"
E o sonho deles,
continua exatamente
atrás de um dragão.