Havia um elástico
que tinha um hábito antigo.
Esticava.
Voltava.
Sempre para o mesmo lugar.
Quem o puxava
aprendeu isso muito cedo.
Puxava mais.
O estalo na mão
virou parte da brincadeira.
Doía um pouco.
Nada que impedisse
a próxima puxada.
O elástico também acreditava
que voltar era seu destino.
Voltar era sua natureza.
Voltar era quase uma obrigação.
Até que um dia
o puxaram além da conversa.
Além da memória.
Além do ponto
onde um elástico ainda se reconhece.
Não voltou.
Rompeu.
O silêncio faz um barulho curioso
quando um elástico desiste.
A mão que puxava
ficou sem resposta.
A outra mão,
que segurava a outra ponta,
também.
Pela primeira vez,
a dor não escolheu um lado.
Descobriu dois.
E o pedaço de borracha,
agora sem tensão,
conheceu uma liberdade
que jamais caberia
enquanto insistia
em voltar.