Quero plantar.
Não sei exatamente o quê.
Só sei que é um pé.
Pés que nascem pequenos, quase invisíveis, e que carregam dentro de si a coragem de virar sombra, abrigo, flores e frutos.
Quero plantar algo que precise de cuidado, porque tudo o que importa precisa.
Algo que cresça melhor quando recebe carinho, que se estique em direção à luz, que goste de ouvir música nas tardes tranquilas e encontre força quando a beleza passar por perto.
Não quero plantar apenas uma árvore.
Quero plantar possibilidades.
Um pé de sonhos, talvez.
Um pé de encontros.
Um pé de gentilezas.
Quem sabe um pé de futuros que comece com uma semente tão pequena que muita gente duvida, mas que, com o tempo, transforma a paisagem inteira.
No fundo, acho que nem importa o nome da planta.
Importa a disposição de regar.
Há coisas que florescem em vasos, há coisas que florescem nos jardins, e há coisas que florescem dentro da gente.
E essas, quando florescem, dão frutos para muito mais gente do que imaginamos.