O inverno chega devagar, sem pressa, como quem conhece o caminho de casa.
Há algo de mágico no frio que aproxima. As mãos procuram outras mãos, as conversas ficam mais longas e os abraços descobrem novas utilidades.
O café fumaça na xícara. A manta encontra os ombros. A noite parece crescer apenas para dar mais tempo às histórias.
No inverno, o mundo desacelera um pouco. E quando o mundo desacelera, a alma finalmente consegue escutar o que o coração andava dizendo em silêncio.
Há alegria nos encontros, beleza nos céus limpos, estrelas mais nítidas e risadas que aquecem mais do que lareiras.
O frio inventa pequenas felicidades: um vinho compartilhado, uma sopa generosa, um filme antigo, uma caminhada de mãos dadas ou a simples companhia de quem faz morada em nós.
Talvez por isso o inverno seja tão querido por alguns: porque ele nos lembra que o calor mais importante nunca veio do sol.
Veio da presença.