O frio chega sem bater. Rouba nomes, endurece silêncios, faz a alma estalar como galho seco.
Há beleza nisso? Talvez. Há crueldade também. O inverno é elegante enquanto nos desmonta.
As mãos procuram calor. Nem sempre encontram.
Lá fora, o céu é afiado e limpo demais. As estrelas parecem rir da nossa febre pequena.
O chão embranquece. O ar morde. O corpo encolhe. O desejo hiberna ou inventa incêndios.
E se o inverno não for estação, mas endereço? E se nunca tiver ido?