Capuccino na caneca,
vento solto e ligeiro,
árvore penteando o tempo
feito avô cuidando do mundo inteiro.
Fumaça sobe desenhando
caminho torto pelo ar,
ideia pega carona nela
sem saber onde vai parar.
O mundo, lá longe, dispara
correndo atrás de chegar.
O sítio sabe outra língua,
a de quem senta um instante
só para escutar.
Folha dança sem ensaio,
passarinho desafina em paz,
e o vento bagunça os planos
que a correria inventa demais.
Billy, esticado no canto,
com diploma em descansar,
olhando minha preocupação
feito quem vai perguntar:
“Isso tudo era urgente
ou era só costume de apressar?”
O cheiro do capuccino passeia
misturado com terra e tardezinha.
E alguma ideia aparece quietinha,
sem desculpas, relógio ou ladainha.
A vida tem dessas riquezas discretas.
Quase sempre chegam baixinho.
De chinelo.
Pela varanda.
E segurando uma caneca
carregada de carinho.