café na mesa,
vento na varanda,
ideia batendo palma
dentro da cabeça que não se conforma.
fumaça subindo em espiral,
pensamento saindo do normal.
o mundo correndo maratona
feito relógio sem coração,
e a xícara ali,
fazendo revolução.
porque café acelera
mas também faz pousar.
quem bebe sem pausa
nem chega a encontrar
o gosto escondido
no tempo vivido
que mora no simples
e insiste em ficar.
e tome coragem.
coragem sem pose,
sem palco, sem medalha.
coragem de sentir
num mundo que só batalha.
a folha dançando no vento,
o pássaro errando o tom,
Billy(o cachorrinho caramelo) dormindo tranquilo
como quem já entendeu o som.
folha solta vira projeto,
silêncio vira criação,
e uma ideia meio torta
acaba mudando a direção.
o extraordinário adora disfarce.
chega vestido de coisa banal.
quase ninguém percebe
porque anda rápido demais.
ser fora do normal
nem sempre é revolução.
às vezes é só tomar café
olhando a vida
sem fugir da emoção.