Leio porque estou vivo.
E viver, às vezes, não basta,
é preciso ampliar.
Leio pra atravessar paredes invisíveis,
pra ir sem sair,
pra chegar antes mesmo de partir.
Leio porque as palavras sabem caminhos que os pés ainda não conhecem.
E quando viajo…
quando encontro lugares que parecem sonho, ou silêncio em forma de paisagem,
a leitura acontece ao contrário.
Já não sou eu que leio livros é o mundo que começa a me escrever nas leituras que já fiz.
Cada montanha,
cada rua,
cada encontro inesperado…
encontra um texto lido
uma lembrança,
vira frase.
Vira história.
Vira pedaço de mim
que eu ainda não sabia dizer.
E talvez seja isso…
Eu leio pra viver mais de uma vida.
E escrevo pra não deixar nenhuma delas ir embora.