Sem começo, sem pressa de dizer o que é…
só esse instante aberto,
o ar frio tocando a pele como se lembrasse alguma coisa antiga,
o sol desenhando brilho onde antes era só caminho.
Dois corpos ali,
mas parece mais gente,
memórias, risos guardados,
dias que já passaram e continuam por perto,
como se também quisessem ver essa paisagem.
O amor, quieto,
encostado no ombro,
respirando junto,
sem precisar se explicar.
Os olhos passeiam,
não procuram nada específico,
mas encontram…
um detalhe aqui,
um silêncio acolá,
um tipo de beleza que não pede legenda.
E Deus…
espalhado.
Na luz que escorre pelas montanhas,
no azul que não acaba,
no vento que chega e vai embora
sem dar satisfação.
Há uma leveza estranha,
como se tudo coubesse agora,
o que foi,
o que ficou,
o que ainda nem chegou.
E a vida…
assim, acontecendo de leve,
quase sem fazer barulho,
como quem não quer interromper
esse momento que simplesmente… é.