A subida não era difícil…
mas também não era leve.
La Verna tem esse efeito curioso:
o corpo caminha…
mas é a alma que vai chegando primeiro.
As árvores altas pareciam guardar silêncio há séculos.
O vento não passava… sussurrava.
Eu subi sem muita pressa.
Talvez porque, no fundo, sabia que não era um lugar para chegar rápido…
era um lugar para ir se esvaziando.
Quando cheguei perto do santuário, tudo ficou ainda mais quieto.
Um silêncio… diferente.
Não vazio.
Presente.
Sentei em uma pedra, olhando o horizonte recortado pelas montanhas da Toscana.
E foi ali que ele apareceu.
Simples.
Descalço.
Como se nunca tivesse saído dali…
ou como se nunca tivesse pertencido a lugar nenhum.
Francisco de Assis sentou ao meu lado.
Sem cerimônia.
Sem palavra.
Só presença.
Billy não estava ali…
mas, de algum jeito, parecia que tudo ao redor ocupava esse lugar de companhia.
Ficamos em silêncio.
Mas não era aquele silêncio que pede conversa.
Era o tipo de silêncio que já é resposta.
— Você trouxe muita coisa com você… — disse ele, olhando para frente.
Eu respirei.
— Trouxe.
— E o que você veio buscar?
Demorei.
Porque às vezes a gente não sabe nomear o que sente.
— Clareza… talvez.
Ele sorriu.
— Clareza não se encontra carregando tanto.
Aquilo caiu direto.
Porque é verdade.
A gente sobe a montanha…
mas leva o peso junto.
— E como solta? — perguntei.
Ele pegou uma pequena pedra do chão…
olhou…
e soltou.
Simples assim.
Mas não era sobre a pedra.
— Soltar não é perder… — disse ele —
é confiar.
Silêncio.
Mas agora mais leve.
O vento passou.
As árvores responderam.
— Você vive construindo… — ele continuou —
ideias, projetos, caminhos…
— Sim…
— Mas já aprendeu a simplesmente ser?
Aquilo me pegou.
Porque fazer é fácil…
ser… exige outra coisa.
— Ainda estou aprendendo… — respondi.
Ele assentiu.
— Continue.
Ficamos ali mais um tempo.
Sem necessidade de explicar nada.
Sem certezas.
Só… sendo.
Antes de levantar, ele disse:
— O mundo não precisa de mais barulho…
precisa de mais presença.
E começou a caminhar.
Leve.
Como quem não carrega mais nada.
Fiquei ali.
O mesmo lugar…
mas não o mesmo eu.
Porque talvez espiritualidade não seja sobre entender mais…
talvez seja sobre carregar menos
e sentir mais. 🌿✨