Deitei no topo do mundo
como quem não queria conquistar nada só caber no instante.
O céu não tinha fim
e, pela primeira vez,
eu também não precisava ter.
A neve caía leve,
dessas que não fazem barulho
mas dizem tudo,
tocando o rosto
como se o frio tivesse aprendido
a ser carinho.
Não havia pressa.
Nem destino.
Nem aquela necessidade antiga
de transformar tudo em história.
Ali…
eu não estava vivendo algo épico.
Eu estava vivendo algo verdadeiro.
E talvez seja isso que ninguém conta, o topo não grita,
não celebra,
não se impõe.
O topo… silencia.
E nesse silêncio
eu me encontrei
sem procurar.
Ou talvez…
tenha sido o contrário.