Tem gente que vê o pôr do sol.
E tem gente que percebe.
Entre um clique e outro,
entre um story e uma tentativa de eternizar o instante, o sol vai embora, silencioso, como quem não precisa ser visto para continuar sendo.
Ali, à beira do mundo,
onde o mar engole o dia devagar, alguns levantam o celular, outros levantam os olhos…
mas poucos se levantam por dentro.
Perceber o pôr do sol
é quase um desacordo com a pressa.
É permitir que a luz toque lugares que nem sabíamos que estavam escuros.
É sentir que o tempo não está passando, está acontecendo.
O céu não faz espetáculo,
ele conversa em cores.
E o mar, paciente, traduz em reflexo aquilo que o coração ainda não sabe dizer.
Há quem registre.
Há quem compartilhe.
Há quem passe.
E há quem, por um breve segundo, se torne tão quieto
que o mundo inteiro cabe dentro do peito.
Perceber o pôr do sol
é isso…
não segurar o instante,
mas ser atravessado por ele.
E quando o sol finalmente desaparece, não fica vazio,
fica presença.
Uma espécie de luz
que decide morar na gente.