Que todos os seres, em todos os mundos, sejam felizes.
Não como quem espera um milagre distante,
mas como quem decide, aqui e agora, não endurecer.
Que, em tempos de guerra e intolerância,
a felicidade seja resistência suave,
um gesto quase invisível
que insiste em existir.
Que a beleza das coisas simples nos encontre distraídos, e nos desarme.
Que o tempo desacelere dentro do peito, mesmo quando o mundo corre lá fora.
Que o coração, esse andarilho inquieto, aprenda a repousar.
Que possamos ver o invisível,
o cuidado que não faz barulho,
o amor que não se anuncia,
a esperança que não desiste,
mesmo quando tudo ao redor parece esquecer.
Que a ansiedade solte seus nós, um a um, sem pressa.
E que a calma não seja ausência de movimento, mas presença de sentido.
Que o amor se faça serviço.
Não como obrigação, mas como escolha viva de cuidar, do outro, do mundo, de nós.
E que sejamos como o alce nas montanhas, quando a neve cobre caminhos e o frio tenta silenciar a vida, ainda assim ele segue.
Encontra abrigo.
Encontra alimento.
Protege suas crias.
Confia nos ciclos.
Não luta contra o inverno, atravessa.
Que possamos também atravessar.
Sem perder a ternura.
Sem negociar a essência.
Sem esquecer quem somos quando o mundo tenta nos endurecer.
Que saibamos recolher,
quando for preciso.
E florescer, quando for possível.
Porque a vida…
mesmo quando parece suspensa,
nunca deixa de acontecer.
E, no tempo certo,
sempre há um tempo certo, ela refaz a si mesma.
Dentro de nós.