Cinque Terre não é lugar…
é um estado de espírito pendurado na falésia.
As casas parecem ter sido pintadas por alguém
que recusou a sobriedade do mundo e decidiu brincar com a coragem das cores.
Ali, o mar não é cenário,
é personagem principal.
Respira, chama, provoca, bagunça pensamentos.
Ele não bate nas pedras…
ele conversa com elas.
E eu escuto.
Entre um degrau e outro,
entre um suspiro e uma foto que nunca captura tudo,
a beleza começa a incomodar.
Porque não é só bonita.
É viva.
E tudo que é vivo exige resposta.
Cinque Terre te cutuca assim, sem pedir licença...
— o que você anda criando com a sua própria paisagem?
As vinhas grudadas na montanha sabem.
Os trilhos sabem.
Até o vento que passa carregando histórias em italiano improvisado sabe.
Criar ali não é opção…
é quase uma reação química entre alma e horizonte.
Você chega turista.
Mas alguma coisa em você vai embora artista.
E quando volta,
traz sal na pele,
cor nos olhos,
e uma inquietação bonita, que não deixa mais a vida ser em preto e branco.