Os campos da Toscana começam a ganhar cor
como se alguém, invisível,
tivesse aberto uma caixa de tintas no horizonte.
As cidades ficam mais vivas,
não por causa das pessoas,
mas porque até as paredes resolvem sorrir.
E o frio…
ah, o frio não vai embora de repente,
ele vai virando lembrança,
dessas que a gente guarda sem peso,
como um casaco esquecido no fundo do tempo.
É quando o mundo respira diferente.
Quando o passo desacelera sem motivo.
Quando o coração… entende sem explicação.
Porque se o outono é o filósofo,
desses que perguntam demais,
que arrancam certezas,
que fazem a alma pensar…
a primavera é o artista.
Chega bagunçando tudo,
misturando cores,
rasgando rascunhos antigos
e dizendo, com um sorriso leve...
— “Agora… cria de novo.”
