Dizem que o tempo voa.
Sêneca discordaria. Para ele, o tempo não voa, nós é que o deixamos escapar.
Imagino uma cena curiosa.
Sêneca está sentado em um banco de pedra em Roma, daqueles que já viram impérios nascerem e caírem. Ele observa as pessoas passando apressadas, como se cada uma estivesse perseguindo alguma coisa invisível.
Algumas correm atrás de dinheiro.
Outras atrás de fama.
Outras simplesmente correm… sem saber exatamente por quê.
Ele suspira e diz:
— Estranho… todos reclamam que a vida é curta, mas poucos percebem o quanto de tempo desperdiçam.
Nesse momento, aparece um sujeito brasileiro, com um sorriso tranquilo e um café imaginário na mão. Senta ao lado dele como quem chega para uma boa conversa.
— Prazer, Cerbella.
Sêneca olha curioso.
— E você também anda pensando sobre o tempo?
Cerbella ri.
— Muito. Mas eu acho que o tempo é um pouco como um terreno fértil.
Sêneca levanta a sobrancelha.
— Terreno?
— É… se você não planta nada, ele vira mato.
Mas se plantar sonhos, ideias e coragem… ele vira floresta.
Sêneca fica em silêncio por alguns segundos. Ele gostava de ideias que tinham raiz.
— Então concordamos em algo — diz o filósofo. — A vida não é curta. Nós é que a usamos mal.
Cerbella completa:
— E às vezes usamos pequena demais.
Os dois observam a cidade.
Uma mulher passa falando ao telefone.
Um homem caminha reclamando do trabalho.
Um jovem desliza o dedo na tela do celular como quem tenta encontrar alguma coisa que nunca chega.
Sêneca murmura:
— O maior desperdício humano é viver como se fosse eterno.
Cerbella responde:
— E o maior milagre é perceber que não somos… e ainda assim escolher fazer algo grande.
Grandes feitos raramente nascem de pressa.
Eles nascem de tempo bem habitado.
De horas silenciosas pensando.
De tentativas imperfeitas.
De ideias que insistem em nascer mesmo quando ninguém pediu.
Uma vida extraordinária não é feita de dias mais longos.
É feita de dias mais vivos.
Sêneca levanta-se.
— Proteja seu tempo.
Cerbella também se levanta.
— E use-o para construir coisas que façam o mundo um pouco mais interessante.
Os dois caminham em direções diferentes.
Mas deixam no ar uma pequena verdade que atravessa séculos:
O tempo não pede pressa.
Ele pede propósito.