Textos
Passos em Festa
O dia amanhece com vontade de ir além.
Os pés ainda descalços sentem a textura do chão
como quem lê um livro aberto de possibilidades.
Há passos que nascem tímidos,
outros já chegam rindo,
saltando poças imaginárias,
inventando atalhos onde só havia rotina.
Caminhar vira brincadeira séria.
Séria como plantar ideias
e depois regá-las com conversa boa,
escuta atenta,
abraços que sustentam mais do que concreto.
No meio da estrada,
alguém resolve sorrir para o diferente.
E o caminho se alarga.
Alguém resolve criar em vez de copiar.
E o horizonte ganha novas cores.
Há mãos que constroem pontes com palavras delicadas.
Há olhos que escolhem enxergar talentos escondidos atrás de silêncios.
A estrada não corre,
ela dança.
Dança com quem ousa sair da fila,
misturar tintas improváveis,
acreditar que o erro é só um rascunho pedindo revisão carinhosa.
No ar, paira uma leveza curiosa.
Como se cada gesto respeitoso abrisse espaço para mais luz.
Como se cada escolha consciente fosse uma semente lançada no jardim invisível das relações.
Há progresso no riso compartilhado,
na ideia que nasce torta e cresce generosa,
na coragem tranquila de não caber em moldes apertados.
E assim seguimos,
com criatividade nos bolsos,
sensibilidade no olhar,
felicidade nos ombros
como quem carrega uma mochila leve.
Os passos não competem entre si.
Conversam.
E no compasso dessa conversa o mundo vai ficando mais humano,
mais sustentável por dentro,
mais bonito por fora.
Sem alarde.
Sem pressa.
Apenas movimento consciente,
alegre,
vivo.
E a cada novo amanhecer,
a estrada parece sussurrar:
Continua.
Tem muito horizonte
esperando o som dos teus passos.
Marcio Cerbella
Enviado por Marcio Cerbella em 07/03/2026