Às margens do rio Tigre
onde tudo começou.
Não apenas uma história,
não apenas um povo,
mas a primeira pergunta humana
ecoando sobre a água.
Ali alguém olhou o céu
e tentou entender as estrelas.
Alguém desenhou sinais no barro
para que a memória não morresse.
Alguém acendeu um fogo
e descobriu que a noite podia ser amiga.
Às margens do rio Tigre
onde tudo terminou.
Impérios passaram como nuvens,
reis viraram poeira,
muros caíram silenciosamente
como folhas cansadas.
O rio continuou.
Porque os rios sabem
o que os homens esquecem:
que tudo passa,
menos o fluxo da vida.
Às margens do rio Tigre
onde tudo recomeçou.
Cada criança que nasce
é uma nova civilização possível.
Cada sonho que insiste
é uma cidade invisível sendo erguida.
O mundo recomeça todos os dias
dentro de um coração que imagina.
Às margens do rio Tigre
eu vou, eu vou.
Vou com os viajantes da história,
com os poetas que ouviram a água,
com os leitores que descobriram
que os livros também são rios.
Rios de pensamento,
rios de coragem,
rios de futuros ainda não escritos.
Não sei onde termina o Tigre.
Talvez no mar,
talvez no tempo,
talvez dentro de nós.
Mas sei de uma coisa:
quem escuta o chamado das águas
não pode mais viver parado.
Então eu sigo.
Às margens do rio Tigre
onde tudo começou,
onde tudo terminou,
onde tudo recomeçou.
E enquanto houver humanidade
tentando entender o próprio mistério,
o rio continuará dizendo
com sua voz antiga e infinita:
Eu vou.
Eu vou.
Eu vou.