Passos com sotaque de sol
As malas abertas pela sala
parecem mapas respirando.
Dentro delas não cabem só roupas,
cabem 38 anos de mãos dadas,
risadas acumuladas,
silêncios cúmplices que aprenderam a atravessar tempestades.
Trinta e sete dias piscam no calendário como quem diz:
vamos?
E lá vamos nós.
Há passos que atravessam oceanos sem perder a ternura do primeiro encontro.
Há olhares que, depois de décadas,
ainda se reconhecem como porto seguro.
Entre um café italiano e outro,
livros ganharão novas paisagens.
Palavras viajarão nas mochilas,
encontrarão vozes curiosas,
farão amizade com gestos largos e sotaques cantados.
As ruas de pedra guardarão histórias que conversam com as nossas.
Em Paola, o sobrenome não será apenas assinatura,
será eco.
Será raiz tocando chão antigo
com a delicadeza de quem volta sem nunca ter estado.
Italo, caminhará ao lado
não só como filho,
mas como parceiro de aventura.
Câmeras ligadas, ideias acesas,
conteúdos nascendo entre praças, trens e risadas.
Duas gerações de coragem invisível misturadas em passos sincronizados.
E no estádio, quando o Napoli entrar em campo,
o coração baterá em coro com milhares.
Azul no céu, azul nas arquibancadas,
e aquela sensação bonita de fazer parte de algo maior sem deixar de ser inteiro.
Haverá vielas estreitas
e horizontes largos.
Haverá massas, histórias, encontros improváveis.
Haverá abraços celebrando 38 voltas completas em torno da escolha diária de permanecer.
Cada esquina será convite.
Cada praça, um palco.
Cada conversa, uma ponte.
E no meio de tanta paisagem nova,
o mais bonito será perceber que o verdadeiro progresso não está nos quilômetros percorridos,
mas na capacidade de continuar
curioso,
criativo,
inteiro.
Viajar será ampliar o olhar.
Divulgar livros será espalhar sementes.
Celebrar o amor será reafirmar raízes.
E quando os passos ecoarem pelas ruas italianas,
haverá algo sussurrando por dentro...
Que privilégio continuar caminhando.
Que gratidão a Luana, Julia e Luma, viajantes no coração.
Que alegria seguir juntos.
Que aventura deliciosa ser fora do normal em qualquer latitude.
E assim, entre trens, estádios, mares e memórias,
a estrada ganhará sotaque,
o amor ganhará novos cenários,
e os passos,
ah, os passos,
dançarão com o mundo,
como quem sabe que a jornada
é a mais bonita das obras.
Marcio Cerbella
Enviado por Marcio Cerbella em 01/03/2026