Despedida, despedidos, despedidas,
despedido, despido de explicações,
desmininguido de presenças,
desatinado no silêncio que sobra.
Desordenado o passo,
sumido o sentido,
desaparecido o instante
que ainda agora era chegada.
Despedida,
porque foste embora,
porque saíste,
porque chegaste tarde demais dentro de mim.
Aonde vais quando a voz se cala?
Aonde vou quando o caminho dispersa?
Porque faço despedidas pequenas
para evitar as eternas,
porque não faço despedidas
quando o coração já partiu primeiro.
Despedidas, despedidas, despedidas,
instantâneas como portas batendo,
eternas como retratos guardados,
agora no ar,
depois na lembrança.
De que me disperso
quando me desfaço de ti?
De que me desfaço
quando o tempo me desfaz?
O que deixo no chão da memória,
o que destroço sem perceber,
o que destroças ao partir,
o que despedes de mim
sem dizer adeus.
E sigo,
despedido de certezas,
despido de respostas,
carregando apenas
o som compassado da despedida
andando dentro do peito.