Casa Onde os Mundos se Escutam
Não é bem uma casa.
É um intervalo.
Um lugar onde o verbo descansa
antes de virar certeza.
No sarau Universos Livres,
ninguém pede licença ao sentir.
A palavra chega descalça,
senta no chão
e aprende o nome de quem escuta.
Ali, hospitalidade
não é convite,
é reconhecimento.
“Entra”,
porque você já estava.
Cada poema é travessia,
cada voz, um planeta provisório.
Uns giram rápido,
outros carregam silêncio nos anéis.
Todos cabem.
E quando a feira do livro virtual
acende telas até na Argentina,
a poesia atravessa fronteiras
sem mostrar passaporte.
Ela fala portunhol de afeto,
mistura sotaques,
derrama sentidos.
Um verso nasce aqui,
outro acorda do outro lado do mapa.
No meio,
o leitor,
essa ponte viva
que sustenta o mundo sem saber.
Hospitalidade poética é isso,
não traduzir o outro,
mas acolher o mistério.
Não explicar demais,
nem fechar portas cedo.
É deixar o livro aberto,
o microfone sensível,
o coração sem legenda.
Porque quando os universos são livres,
ninguém está de fora.
A palavra vira casa.
E a casa, mundo.
Marcio Cerbella
Enviado por Marcio Cerbella em 01/02/2026