Nem toda poesia é boa.
Nem toda poesia emociona.
Mas a vida…
a vida não pede licença.
Ela simplesmente acontece.
E nisso,
ela vira poesia
sem nunca ter aprendido a rimar.
A vida é o que se vive
no intervalo entre um passo e outro.
Mesmo quando o pé dói.
Mesmo quando a alma hesita.
Nem tudo é bonito.
Nem tudo vem do jeito que a gente sonhou.
Ainda assim,
o passo precisa ser dado.
Há areia que escapa dos pés.
Há pedras que ferem,
atrasam,
fazem a gente parar.
Mas nenhuma pedra nasce inimiga.
Ela só espera destino.
A mesma pedra que atrapalha
pode sustentar.
Pode virar ponte.
Pode virar escada
para alguém que vem depois.
Por isso, não é sobre brigar.
É sobre transformar.
Juntar forças.
Juntar pedras.
Juntar sentidos.
Usar o que a vida entrega,
antes que o tempo endureça demais.
Porque a vida responde,
não ao que a gente deseja,
mas ao que a gente faz
com o que tem nas mãos.
É preciso aprender as pedras.
Escutá-las.
Entender para que servem.
Como certas aulas
que só fazem sentido
quando já passaram.
E então,
a poesia envelhece.
Não perde a beleza,
ganha profundidade.
Com carinho,
a jornada se explica.
E a vida,
sem prometer finais felizes,
finalmente…
faz sentido.