Às vezes dá vontade.
Não é falta de educação, é excesso de mundo.
É a necessidade quase poética de soltar um “vai tomar na peida” como quem abre uma janela num quarto abafado.
Não é sobre ofender.
É sobre respirar.
Falar essa frase, de vez em quando, é um ato de autenticidade crua.
É dizer para si mesmo: chega de caber em moldes apertados, chega de engolir tudo seco.
É quebrar paradigmas com um chute verbal na porta do “tem que ser assim”.
Tem dias em que vencer o mundo é difícil.
Então a gente começa vencendo a si mesmo:
aceitando o cansaço, o limite, o caos interno…
e encontrando um lugar no mundo,
mesmo que esse lugar seja torto, estranho, meio escuro,
ou até invertido.
Porque às vezes o Mundo Invertido não é lá fora.
É aqui dentro.
E dizer o que precisa ser dito, do jeito mais honesto possível,
é acender uma luz de Natal piscando no meio da bagunça.
No fim das contas, falar essa frase é um lembrete:
sou humano, sou imperfeito, sou real.
E isso, convenhamos, já é um baita ato de coragem.