Descobri que não sou o farol,
sou o fogo.
Não digo por onde ir,
apenas aqueço a noite
pra que cada um encontre
o próprio passo.
Sou Mago,
mas sem cartola nem truque barato.
Minha magia é pergunta boa,
silêncio que escuta,
olho que acende dentro.
Sou Criador,
não de moldes,
mas de rasgos no papel do mundo.
Invento caminhos
porque o mapa antigo
já não comporta gente viva.
Trago no bolso
um Cuidador discreto,
que não pega no colo pra sempre,
apenas limpa o joelho ralado
e diz:
— vai, dá pra tentar de novo.
E descobri também
o que não sou.
Não sou Guru empoleirado
vendendo céu parcelado.
Não sou dono da verdade
nem porteiro da consciência.
Não salvo.
Não conduzo.
Não ilumino de cima.
Desconfio de fórmulas,
fujo de promessas fáceis,
bocejo diante de certezas absolutas.
Se me vejo no pedestal,
desço.
Se me chamam de mestre,
viro aprendiz outra vez.
Sou aquele que caminha junto,
acende a fogueira no meio da roda
e diz sorrindo:
— o calor é nosso,
a jornada também.
Entre arquétipos e antíteses,
descobri meu lugar:
não à frente,
não acima,
mas presente.
E isso, curiosamente,
é tudo.
Porque quando identidade vira poesia,
ela deixa de explicar…
e passa a ressoar 💫