Um dia, Tapoti nasceu da tua pena leve,
saiu caminhando entre páginas e sonhos,
cheirando a folha molhada e vento de mata.
Tempos depois, ele embarcou contigo rumo à Ilha Grande,
na pequena Araçatiba onde o mar sussurra segredos antigos.
Ali, entre risos e passos curiosos,
tu o entregaste como quem oferece um amuleto,
de um guardião para outra guardiã,
a professora Ariene.
Mas a magia fez o que a magia sabe fazer,
devolveu o presente em flores.
Ariene abriu o livro como quem abre a porta da floresta.
E as crianças, ah… as crianças entraram!
Com olhos brilhando, pés inquietos,
e a alma pronta para ouvir as folhas falarem.
Tapoti virou música nos corredores,
virou desenho colorido com cheiro de fantasia,
virou texto vivo, semente em cada caderno,
virou brincadeira séria, daquelas que mudam o mundo.
E a professora, com mãos de pescadora de encantos,
puxou das páginas uma metodologia inteira,
teceu atividades, criou caminhos,
plantou respeito e cuidado,
como quem cuida de brotos teimosos e preciosos.
No final, a sala se transformou,
era floresta.
Era encantamento.
Era um coro pequeno e poderoso de guardiões.
As crianças de Araçatiba não apenas leram Tapoti,
elas se tornaram Tapoti.
Guardaram a mata no peito
como quem protege um amigo.
E, naquele instante, teu livro entendeu seu destino:
não era apenas literatura.
Era semente.
E encontrou solo fértil no coração da Ilha.