Não me peças rima,
não me dês régua.
Aqui, verso é víscera.
Literatura não é flor de estufa,
é mato que cresce na rachadura do concreto
com gosto de liberdade.
Beleza? Talvez.
Mas não a beleza que agrada o espelho.
A beleza que incomoda o mundo.
Arte não é polida.
É provocação vestida de metáfora,
devaneio que ri de si mesmo
enquanto cospe verdades cruas.
Sou loucura legítima,
grafite em muro limpo,
sou o grito do marginal
que virou professor de ideias.
Respeito? Só por quem se atreve.
Transgredir é meu verbo predileto.
Criação é minha insubordinação favorita.
Quem lê, que decida.
Mas quem escreve…
ah, quem escreve está desperto.
E quem desperta,
não volta mais a dormir em paz.
Não há métrica na coragem,
nem ponto final na construção de si.
Reviso minha alma como quem edita um romance inacabado.
E toda intenção
é também uma fuga,
ou um reencontro com o que pulsa escondido.
Então queime.
Incendeia teus medos.
Desaprenda o previsível.
Crie mundos.
Reconstrua-se.
E se alguém perguntar
o que é isso que você faz,
responda sem hesitar:
"Eu escrevo para não me render."