Envelhecer é verbo de ação,
não de omissão.
É o tempo lapidando o diamante,
não enferrujando o ferro.
Não é se apagar,
é se acender de outro jeito.
É ser farol em noites sem mapa,
é ser bússola quando todos se perdem.
O mundo normal diz:
“Cale-se, já viveu demais."
Mas quem é normal,
senão os que perderam a coragem
de ouvir histórias com rugas e raízes?
O idoso fora do normal
não aceita cadeira cativa
na plateia da vida.
Ele sobe ao palco, improvisa,
dá pitaco, dança sem música
e sorri sem vergonha dos dentes que faltam.
Direitos não são favores.
Participar não é concessão.
É constituição viva em corpo que pulsa,
cabelo branco com cabeça acesa,
coração que não se aposenta.
Na sociedade que insiste em embalar
a velhice com cheiro de fim,
há quem abra a caixa,
pinte por fora
e diga:
"Aqui não mora o passado. Mora o agora."
Ser velho não é deixar de sonhar.
É sonhar com mais nitidez,
com menos pressa
e mais propósito.
Porque o tempo já ensinou
que a pressa engana
e que viver bem é viver inteiro,
mesmo que seja devagarinho.
E se ser “fora do normal”
é não se encaixar nesse roteiro de exclusão,
então que sejamos todos
velhos e jovens
que sonham em voz alta,
questionam em silêncio,
e vivem fora do padrão,
dentro do coração.