Saímos do sítio quando o sol ainda bocejava,
Itaboraí ficando pra trás como um sonho úmido de verde.
Chuva, vento e frio, os deuses do asfalto nos testavam,
mas havia algo maior chamando lá da Marina da Glória.
Fomos quatro, Mônica, eu, Julia e Ítalo,
cada um com seu gosto, seu tempo, sua trilha sonora.
Eles, os filhos, foram quem nos empurraram pra essa lembrança viva,
pra esse mergulho nas décadas onde tudo começou.
E quando as guitarras da Plebe cortaram o ar,
e Humberto, com aquela voz de quem carrega o vento no peito,
cantou o passado como quem acaricia uma cicatriz,
eu senti o tempo se dobrar feito vinil riscado, mas ainda tocando.
O Ira!… ah, o Ira!
E aquela música viva...
“Você me ligou naquela tarde vazia…”
foi como um espelho de outubro de 1985,
quando o mundo era pequeno e o amor cabia num telefonema.
Mônica sorriu e ali, entre tremidas, algum cansaço e memórias,
eu voltei a me apaixonar pela mesma mulher,
quarenta anos depois, sob o mesmo som.
Capital Inicial, pra variar, deu um show especial... "Mas só chove chove oooouuuu."
Chove alegria, chove emoção, chove mais uma lembrança feliz...
A madrugada terminou em riso e podrão,
com o gosto de ketchup, rock e gratidão.
E o tempo, esse velho amigo,
nos olhou e piscou, dizendo:
"Vocês ainda sabem viver.”
Domingo 19/10/2025