Márcio Cerbella – Inspiração e Estratégia
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Textos

Clássicos da Vida

Saímos do sítio quando o sol ainda bocejava,

Itaboraí ficando pra trás como um sonho úmido de verde.

Chuva, vento e frio, os deuses do asfalto nos testavam,

mas havia algo maior chamando lá da Marina da Glória.

 

Fomos quatro, Mônica, eu, Julia e Ítalo,

cada um com seu gosto, seu tempo, sua trilha sonora.

Eles, os filhos, foram quem nos empurraram pra essa lembrança viva,

pra esse mergulho nas décadas onde tudo começou.

 

E quando as guitarras da Plebe cortaram o ar,

e Humberto, com aquela voz de quem carrega o vento no peito,

cantou o passado como quem acaricia uma cicatriz,

eu senti o tempo se dobrar feito vinil riscado, mas ainda tocando.

 

O Ira!… ah, o Ira!

E aquela música viva...

“Você me ligou naquela tarde vazia…”

foi como um espelho de outubro de 1985,

quando o mundo era pequeno e o amor cabia num telefonema.

 

Mônica sorriu e ali, entre tremidas, algum cansaço e memórias,

eu voltei a me apaixonar pela mesma mulher,

quarenta anos depois, sob o mesmo som.

 

Capital Inicial, pra variar, deu um show especial... "Mas só chove chove oooouuuu."

Chove alegria, chove emoção, chove mais uma lembrança feliz...

 

A madrugada terminou em riso e podrão,

com o gosto de ketchup, rock e gratidão.

E o tempo, esse velho amigo,

nos olhou e piscou, dizendo:

"Vocês ainda sabem viver.”

 

Domingo 19/10/2025

Marcio Cerbella
Enviado por Marcio Cerbella em 19/10/2025
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