No estro do vate, o verbo arde,
feito fagulha em brasa de sonho.
Não há método, há vertigem,
há um sopro que não se ensina.
As palavras não vêm, acontecem.
Como chuva que decide cair,
ou maré que sobe sem pedir licença
à areia, nem ao tempo.
O vate não escreve: escuta.
Escuta o rumor das folhas,
o soluço do vento,
o murmúrio antigo das águas.
E quando o mundo silencia,
ele se torna canal,
ponte entre o invisível e o agora,
tradutor do mistério em som.
No estro do vate,
a vida se despe da razão,
e o verso nasce,
não de quem pensa,
mas de quem sente demais
pra guardar tudo dentro.
A expressão “no estro do vate” é como dizer “no impulso criador do poeta”, “no arrebatamento da inspiração”.
“Estro” é o fogo sagrado da criação; “vate”, o nome antigo e nobre dado aos poetas, os que falam pelos deuses, pelos ventos e pelos silêncios.