Ah, Cerbella… esse título é um tesouro linguístico nacional!
"PUTAQUILPARIU” é quase um grito de alma, cabe no gol do Mengão, na enchente do quintal, na surpresa boa e na dor que não cabe.
Aqui vai o poema, com o coração pulsando no ritmo do Rio e o riso meio molhado da vida:
PUTAQUILPARIU
Putaquilpariu!
Gritei sem pensar,
nem de raiva, nem de dor,
mas daquele susto bom
de quem ainda se espanta com a vida.
Putaquilpariu!
Saiu do fundo da garganta,
lá onde mora o samba e a saudade,
misturado com cheiro de maresia
e lembrança de um abraço que não volta.
Putaquilpariu...
Disse sorrindo,
quando o sol rompeu as nuvens
e a chuva desistiu do telhado.
Disse chorando,
quando o mundo desabou e
ninguém me ofereceu guarda-chuva.
É palavrão, sim senhor,
mas também reza,
grito de gol, poesia torta,
exclamação divina da alma brasileira.
Porque tem dias
em que o único jeito de dizer tudo
sem dizer nada é
olhar pro céu, abrir os braços
e soltar, com o peito inteiro:
PUTAQUILPARIL