No silêncio entre o sim e o talvez,
mora a dúvida, velha feiticeira.
Sussurra: “E se não for?”
Mesmo quando o mundo inteiro grita: “É, com certeza!”
Há quem tema o 0,1% que resta,
mas é nele que mora a liberdade.
É nesse sopro de incerteza,
que a alma dança sem vaidade.
Questionar o que parece absoluto
é vestir asas diante do concreto.
É dizer: “Pode ser que sim… ou não”,
e sorrir mesmo diante do incerto.
A verdade? Uma lente com grau mutável.
Depende do olho que vê,
do tempo que sente,
da alma que sente o que quer crer.
E ainda assim… vivemos.
Amamos com paixão intermitente,
planejamos com fé inconsciente
que amanhã ainda será gente.
Ah, bendito quem duvida,
e mesmo assim se lança.
Quem vive o hoje com os pés no abismo
e o coração em esperança.
Porque há beleza no desequilíbrio,
sabedoria no “não sei”,
força em ser vulnerável,
e coragem em aceitar que talvez…
Talvez a felicidade não seja
um endereço fixo ou um plano fechado.
Mas um instante irresponsável,
com responsabilidade repartida e abraço apertado.
99,9% de certeza?
Sim… talvez.
Mas o que move o universo inteiro
é aquele 0,1% de “e se…?” outra vez.