Ela ouviu o milho falar.
E o mundo achou estranho.
“Genes não se movem, Barbara”,
disseram,
enquanto ela observava
danças microscópicas que ninguém mais via.
Ela não brigou.
Só continuou olhando.
Entre colorações e silêncios,
descobriu que a vida era mais indisciplinada
do que os livros queriam admitir.
Ela sabia que os genes saltavam,
que o acaso era método disfarçado.
Mas por décadas,
seu laboratório foi uma ilha de solidão,
cercada por paredes surdas.
Então o tempo passou.
E o mundo, sem pedir licença,
a alcançou.
Quando finalmente a premiaram,
ela já tinha aprendido algo que poucos entendem:
Ser ignorada por décadas
não é nada comparado ao prazer de estar certa.