Eu agarro
Tu agarras
Ele agarra
O dia, o descanso, o brilho, o sol...
Nós agarramos
Vós agarreis
Eles agarram
Mas quem és vós,
ou seria voz,
será que estamos sós,
ou apenas deitados nos lençóis?
Lenços que enxugam lágrimas,
sois que brilham no universo,
secaram a dor, viraram pingo,
semente de luz,
e mais uma vez começa....
Eu respiro.
Tu te espreguiças.
Ele se perde nos contornos do travesseiro.
Nós esquecemos o relógio.
Vós trazeis a brisa.
Eles… inventam sonhos acordados.
É dia de ouvir a voz do corpo,
o silêncio da alma,
o murmúrio do mundo sem pressa.
O tempo tira folga,
o café tem gosto de abraço,
e o sol, preguiçoso,
se estica na rede do céu.
Porque domingo, meu caro,
não se explica.
Domingo se sente,
se agarra, com alma, com riso e com poesia.
É domingo.