Na casa amarela mora a dor,
mas também mora o sol,
na rachadura do muro
floresce uma flor que resiste.
Setembro sopra ventos confusos,
protetores e ilusórios,
como braços que abraçam demais
e impedem de fugir,
ou de viver.
Uma vírgula.
E não desistir.
De viver.
Na varanda, uma xícara simples,
um pão com manteiga,
um canto de passarinho
me ensina:
renascer é verbo miúdo,
mas imenso.
Vencer a dor
é não lutar contra ela,
mas convidá-la pra um chá
e deixá-la partir,
sem grito, sem nó.
Florescer no amor
é desaprender a ilusão,
abrir as janelas,
respirar o agora,
escolher ser leve,
escolher ser.
Ser feliz não é milagre.
É gesto.
É simplicidade.
É coragem.
Na casa amarela,
um novo dia começa.
Sem promessas.
Mas com esperança.
Uma vírgula abre o pensar.
O novo convida a caminhar.
E agora é o que era.
Chegou uma nova primavera.