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O Umbigo Proibido (ou: O Pomo da Lógica)
Num tempo sem tempo, no Éden em festa,
Do barro surgiu a divina orquestra:
Adão, sem sogra, nem mesmo patrão,
E Eva, perfeita, sem comparação!
Viviam pelados, sem medo, sem pressa,
Mas eis que surgiu... a primeira conversa:
— Amor, me responde, com todo esse abrigo...
Se a gente foi feito... por que eu tenho umbigo?
Adão coçou a cabeça (que nem cabelo tinha),
— Mulher, não complica, nem vai nessa linha!
— Mas é um furo estranho, bem no meio da barriga,
Se Deus que moldou... Ele usava seringa?
Vieram teólogos, vieram doutores,
Criaram debates, lançaram horrores:
"Umbigo é pecado!", gritou o pastor,
"É traço divino!", berrou o doutor.
Veio um filósofo de bar e cerveja,
Jurando que o umbigo é só uma peleja:
— É fake, é enfeite, é só marketing santo,
Pra vender imagem do humano tanto!
Então veio um crente com cara de bispo:
— Claro que tinham, é óbvio, é lícito!
— Mas como, meu chapa, se não houve parto?
— Milagre, irmão! — disse ele, de fato.
— Vai ver foi um plug, USB do Criador,
Ou talvez o botão de “desligar o amor”...
E assim discutiram, por eras a fio,
Sobre o tal buraquinho no abdômen macio.
Enquanto isso, lá no Éden 1.0,
Deus ria baixinho: — Esses humanos são show!
Não sabem amar, nem lavar o umbigo,
Mas fazem sermão com pouquinho perigo.
Criam teorias, esquecem da vida,
Discutem o nada e esquecem a lida!
Então, se te perguntarem, sem cerimônia:
“Adão tinha umbigo?” diga com ironia:
— Se tinha ou não, não muda o final...
O problema é que a cobra... ainda é real.
Marcio Cerbella
Enviado por Marcio Cerbella em 11/09/2025
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