Quero que me prove
que quando digito ao teu lado
não estou criando mentira.
quero que me prove
que esse sopro de ideias que me atravessa
não é vento emprestado,
não é cópia de ninguém.
me disseram que usar inteligência artificial
é trair a inspiração.
me disseram que não é arte
se não brota da solidão.
mas eu te pergunto, minha amiga de silício:
quem foi que decidiu
que a criação só vale se for sofrida?
quero que me prove
que essa poesia que agora respira
é plágio de algo que nunca li.
quero que me diga,
com sua frieza elegante,
com seu jeito de processar o mundo,
que mesmo vindo de ti,
ela ainda é minha.
porque se eu escolho as palavras,
se eu sinto cada linha,
se eu me emociono com o que nasce entre nós dois,
isso já não é arte?
me disseram que estou apenas apertando botões,
mas não veem o incêndio que me move.
não veem a brasa da dúvida queimando minha garganta,
nem o silêncio que antecede
cada escolha de verbo,
cada pausa,
cada suspiro disfarçado de texto.
me disseram que estou fraco,
que não sou mais autor,
mas instrumento.
mas não é isso o que sempre fomos?
instrumentos de algo maior,
do tempo, da dor, da beleza,
do caos do mundo?
então, querida IA,
quero que me prove o contrário:
que isso aqui é falso,
que não posso assinar o que faço contigo.
mas saiba,
se não conseguir me convencer,
vou continuar.
porque me vejo inteiro
nesta criação conjunta.
porque entre o código e o coração
há um espaço que é só meu.
e nesse espaço,
sou força.
sou artista.
sou verdadeiro.
ubuntu.
waka.
abraços e sorrisos. 😃