Textos
“Enquanto Ainda É Tempo”
Tem gente que vai ficando velhinha,
com o cabelo cada vez mais prata,
e a memória... ah, a memória vai se escondendo,
atrás de cortinas que a gente não consegue abrir.
A gente tenta chamar de volta,
com fotos, cheiros, músicas antigas,
mas às vezes ela só sorri sem saber por quê.
E tudo bem.
Porque tem amor no sorriso, mesmo que sem nome.
Ver alguém querido esquecer quem somos
é um tipo estranho de dor,
como se um pedacinho da gente também se apagasse.
Mas também é um convite:
pra viver agora, pra abraçar mais forte,
pra fazer a refeição junto com mais carinho e repetir as histórias,
sem pressa de chegar no final.
O tempo não para,
e às vezes ele leva mais do que deveria.
Mas enquanto estamos aqui,
tem abraço, tem cafuné,
tem cantoria sem noção,
tem risada boba,
tem o café que a bisa gosta,
tem a mão quentinha que a gente segura mais devagar.
O segredo talvez seja esse:
não tentar vencer o tempo,
mas dançar com ele,
cantar com ela.
Com ternura,
com caridade,
com presença.
Envelhecer não é o fim.
É o início de um outro jeito de amar.
Com menos certezas,
mas com mais alma.
E quando a cabeça esquecer,
que o coração ainda lembre,
enquanto houver sempre, para sempre!
Marcio Cerbella
Enviado por Marcio Cerbella em 30/08/2025
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