“La Calabria è Donna” escreveu Nuccio Loreti,
e quem já sentiu o cheiro das ruas de Cosenza,
ou o gosto do mar em Scilla ao entardecer,
sabe que é verdade:
A Calábria tem curvas de mulher forte,
e alma de quem já sofreu, mas não se entrega.
É mulher de pele queimada de sol,
teimosa como as ondas do Tirreno,
que batem e voltam, batem e voltam,
sem nunca pedir licença.
Não é feita para ser entendida,
é feita para ser sentida,
nos silêncios das montanhas,
nos olhares longos dos velhos nas praças.
Ela ama devagar, mas ama fundo.
E guarda no coração
a fúria e a ternura de mil mães,
que criaram filhos que cruzaram oceanos,
sem jamais deixarem de chamá-la de casa.
A Calábria é mulher que planta com uma mão,
e reza com a outra.
Que discute alto, mas chora escondido.
Que não esquece ofensa, mas perdoa com um prato de massa.
E foi ali, entre oliveiras e promessas,
que nasceu uma linhagem de gente inquieta.
Gente que sonha, mas com os pés no chão,
como uma certa família…
de sobrenome Cerbella.
Teimosos sim,
mas também generosos como o pão quente na mesa.
Honestos como a palavra dada,
e bons… até quando não querem parecer.
A Calábria não quer aplausos.
Quer respeito.
Quer ser lembrada não só pela beleza,
mas por tudo o que resistiu.
Pois, como disse Loreti,
“La Calabria è Donna”,
e como toda grande mulher,
ela quer ser vista por inteiro,
com todas as suas contradições,
seus segredos, sua verdade.